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2018-09-28T01:14:37+06:00
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As lições do Hospital de Amor Barretos (SP)

Atual diretor executivo e científico do Instituto de Ensino e Pesquisa (IEP) e Coordenador do Centro de Pesquisa em Oncologia Molecular (CPOM) do Hospital de Amor Barretos (SP), o doutor Rui Reis, português radicado no Brasil, fala com entusiasmo sobre os resultados que a instituição vem alcançando no campo da pesquisa oncológica. Superando, com muito sacrifício e, sobretudo, amor ao paciente, as dificuldades que o país impõe aos que buscam novas soluções de tratamento e cura completa do câncer.

“No Brasil, não há continuidade nos projetos de pesquisas. Nem mesmo a cultura de investimento e doação de dinheiro existe no país”, adverte o doutor Rui Reis.

Por isso, chama a atenção o trabalho que o Hospital de Amor Barretos (SP) desenvolve. Em julho, a instituição conquistou a primeira colocação do ranking no levantamento da Scimago Institutions Rankings (SIR) entre os centros de saúde que atuam na área de pesquisa na América Latina – em 2015, ou seja, há apenas três anos, era décimo colocado. O objetivo do ranking é fornecer uma ferramenta métrica útil para as entidades, formuladores de políticas e gerentes de pesquisa para a análise, avaliação e melhoria de suas atividades, produtos e resultados.

Segundo o doutor Rui Reis, a ideia de construir um Instituto de Ensino e Pesquisa surgiu em 2008, com o objetivo de estimular o ensino pós-graduado (formando mestres e doutores), formação de residentes médicos profissionais de saúde, além de oferecer as melhores condições para a realização de projetos de pesquisa (atualmente, 200 projetos estão em andamento). Por ano, o Hospital de Amor Barretos (SP) investe, em média, R$ 10 milhões em todas as áreas de ensino e pesquisa. O IEP conta com apoios financeiros de importantes agências de fomento nacionais, como FAPESP, CNPq, DECIT, CAPES, e internacionais, como NIH, Bill & Melinda Gates Foundation e Terry Fox Foundation.

“Atualmente, o departamento conta com mais de 30 pesquisadores, sendo oito com dedicação exclusiva à pesquisa. O câncer não espera”, enfatiza o doutor Rui Reis.

O Hospital de Amor Barretos (SP) é também o primeiro a oferecer imunoterapia para tratar pacientes com câncer metastático (por enquanto, apenas melanoma e câncer de pulmão) pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O serviço é resultado de uma parceria do instituto com a farmacêutica MSD, que fabrica o remédio pembrolizumabe (Keytruda) – na rede particular, estima-se que o tratamento com essa medicação custe R$ 30 mil / mês.

O doutor Rui Reis é um dos entusiastas da imunoterapia. Segundo ele, é algo que vem para mudar os paradigmas do tratamento do câncer em estágio mais avançado.

“Nossa principal preocupação é com a qualidade de vida do paciente oncológico. A imunoterapia gera bem menos efeitos colaterais do que a quimioterapia e aumenta consideravelmente o aumento da sobrevida do paciente. Hoje, graças a este convênio, conseguimos fazer esse tratamento na hora”, finaliza.